Guilherme Russo aponta avanço do senador entre independentes e mês negativo para o governo como fatores do empate com Lula em simulação para 2026

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7) traz Lula e Flávio tecnicamente empatados - Ricardo Stuckert/PR; Andressa Anholete/Agência Senado

O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 2026 e o retorno acelerado da polarização política no país são os principais sinais apontados pela mais recente pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11).

Em entrevista ao programa Passando a Limpa, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (12), o diretor de inteligência do instituto, Guilherme Russo, afirmou que a rápida consolidação do senador como nome competitivo da direita surpreendeu analistas e ajudou a explicar o empate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno.

“Essa subida do Flávio foi muito rápida e pegou até pesquisadores de surpresa. A direita aceitou muito rapidamente o nome dele como candidato competitivo”, afirmou.

A pesquisa mostra que, em um eventual segundo turno entre os dois, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados com 41% das intenções de voto. Brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar somam 16%, enquanto 2% se declaram indecisos.

Na rodada anterior do levantamento, realizada em fevereiro, Lula aparecia numericamente à frente, com 43%, contra 38% do senador.

Segundo Russo, o levantamento indica que parte do eleitorado conservador vê o parlamentar como uma alternativa mais moderada dentro do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Um dos resultados que a gente mostra é que a direita enxerga o Flávio como mais moderado que outros nomes da família Bolsonaro.”
Desaprovação do governo cresce

Além das simulações eleitorais, o levantamento também mostra piora na avaliação do governo federal.

De acordo com a pesquisa, 51% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, enquanto 44% aprovam, diferença de sete pontos percentuais — o pior saldo registrado desde meados de 2025.

A avaliação negativa da gestão também subiu, passando de 39% para 43%, enquanto a avaliação positiva caiu de 33% para 31% no último mês.

Na análise de Russo, esse ambiente mais crítico ajuda a explicar o avanço da oposição nas simulações eleitorais.
Casos recentes influenciam percepção

Durante a entrevista, o diretor da Quaest também citou episódios recentes que ganharam repercussão pública e que podem ter contribuído para o aumento das críticas ao governo.

Entre eles estão debates envolvendo impostos, questionamentos sobre gastos públicos e a repercussão política de episódios do carnaval — como uma homenagem ao presidente em desfile de escola de samba, que gerou forte debate nas redes sociais e no meio político.

Russo também mencionou o impacto de denúncias relacionadas ao chamado “caso Banco Master”, que entrou no debate público nas últimas semanas e tem gerado disputas de narrativa entre diferentes grupos políticos.

Segundo ele, nesse tipo de situação, o desgaste inicial tende a atingir o chamado “sistema político”, especialmente quem está no governo.

“Quando surge um escândalo de corrupção, mesmo que ainda não esteja claro quem é responsável, o sistema sofre mais. E quem está no governo acaba sendo mais associado a esse ambiente.”
Independentes podem definir disputa

Outro ponto destacado pela pesquisa é o desempenho de Flávio Bolsonaro entre os eleitores independentes — grupo considerado decisivo em disputas polarizadas.

Segundo Russo, esquerda e direita têm hoje tamanhos semelhantes no eleitorado brasileiro, o que torna esse segmento ainda mais estratégico.

“Os independentes são quem vão decidir a eleição. Se esquerda e direita têm tamanhos parecidos, o terço do eleitorado que não está totalmente alinhado é o fiel da balança.”

Apesar do crescimento entre esses eleitores, o pesquisador avalia que existe um limite para essa expansão.

“Esse crescimento também tem um teto. Mesmo entre os independentes existe divisão interna entre pessoas mais próximas da esquerda, da direita e do centro.”
Religião e aprovação

A pesquisa também analisou o comportamento do eleitorado religioso.

De acordo com os dados, o presidente já enfrenta altos índices de desaprovação entre evangélicos, cenário que tende a se manter relativamente estável. Já entre católicos — grupo religioso majoritário no país — a avaliação do governo apresenta maior oscilação.

Segundo o levantamento, a desaprovação entre católicos subiu de 42% para 47%, enquanto a aprovação caiu de 52% para 49%.

Para Russo, esse grupo tende a ser mais sensível a acontecimentos políticos e econômicos do momento.

“Entre os católicos existe mais diversidade política e mais eleitores independentes. Por isso, é um grupo que tende a oscilar mais nas avaliações.”

A pesquisa da Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março, em entrevistas presenciais realizadas em todo o país.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05809/202.


Fonte: JC/UOL