Revisão de 59 amostras com mais de 71 mil pessoas liga relação próxima a ganhos emocionais e sociais
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Chinesa de Hong Kong, em Shenzhen, e da Universidade de Pequim, sob a coordenação de Tianyuan Li. A equipe aplicou uma técnica estatística chamada metanálise, que soma os resultados de muitas pesquisas para chegar a uma conclusão mais sólida do que a de qualquer estudo isolado. Ao todo, foram analisados 374 resultados.
O que a pesquisa encontrou sobre avós e netos
Os autores observaram uma associação positiva entre a força do vínculo com os avós e o desenvolvimento dos netos em cinco áreas: psicológica, social, comportamental, física e cognitiva. O efeito medido é pequeno, mas consistente. Em linguagem estatística, a correlação ficou em 0,13, um valor que os pesquisadores consideram significativo diante do tamanho da amostra.
Na conclusão, o grupo afirma que os avós exercem um papel construtivo e dinâmico no sistema familiar. Os pesquisadores também observaram que fatores como idade, contexto e forma de medir a relação ajudam a explicar por que os resultados variam de um estudo para outro.
A revisão tem limites que precisam ser considerados. Os estudos reunidos são observacionais, ou seja, mostram que as duas coisas andam juntas, mas não provam que uma causa a outra. Famílias em que avós e netos são próximos podem ter outras características que também favorecem as crianças.
Uma geração que conta à outra
Para as famílias cristãs, o resultado conversa com uma convicção antiga. O salmista escreveu que “uma geração louvará as tuas obras à outra geração” (Salmos 145.4), e a casa dos avós costuma ser o lugar onde histórias de fé, receitas e memórias passam adiante. Uma ligação por vídeo, uma tarde de brincadeiras, uma oração juntos antes de dormir ou a ajuda na lição de casa são formas simples de manter esse laço vivo, mesmo quando a distância pesa.
O tema ganha peso num país que envelhece. A Comunhão mostrou recentemente que os idosos chefiam 21,6 milhões de lares no Brasil, muitos deles sustentando filhos e netos. Valorizar a presença dos mais velhos, com respeito aos limites de cada família, é também cuidar das crianças. O resumo do estudo está disponível na página da revista científica.
Fonte: Comunhão. Com informações de Journal of Family Theory and Review

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